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Cadê o dinheiro?

O mercado de meios de pagamentos vem passando por uma transformação nos últimos anos, o dinheiro em papel (espécie) tem cedido espaço para outras formas de pagamento que muitas vezes ocorrem de uma forma virtual, diminuindo a utilização do papel moeda. Em alguns países inclusive foram eliminadas notas de maior valor, é o prenúncio de uma nova era, dizem especialistas. A previsão é de que no futuro, arriscaria até dizer em um futuro muito próximo, as economias modernas serão dominadas pelo uso do dinheiro plástico, da moeda eletrônica em escala mundial entre outras formas de pagamentos. Alguns exemplos destas movimentações no mundo, refletindo esta situação:

Suécia: A previsão é que até 2030 as cédulas e moedas deverão virtualmente desaparecer no país, esta é a projeção do Banco Central Sueco. Esta transformação está cada vez mais visível, os cidadãos estão usando menos o dinheiro em papel, onde ocorrem a substituição dos pagamentos via cartão, celular e variados meios eletrônicos. Já não é difícil na capital Estocolmo, crescer o número de restaurantes e lojas que estampam o aviso: “Não aceitamos dinheiro”. A estimativa é que atualmente menos de 20% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro, esta estimativa é bem conservadora.

Coreia do Sul: O Banco Central da Coreia do Sul deseja eliminar toda a circulação de moedas (metal) no pais até 2020, posteriormente o foco será na redução do papel moeda que atualmente já possui uma baixa utilização, por contra partida a utilização de cartões de crédito possui um dos maiores índices de utilização. Estima-se que o Banco da Coreia e o governo local poderiam economizar mais de 40 milhões de dólares (equivalente) que são gastos, anualmente, na produção de moedas. “Quando fazemos uma moeda de 10 won, isso custa mais de 10 won“ disse Lee Hyo-Chan, analista em Seul.

Dinamarca: O Banco Central da Dinamarca não fabrica notas nem moedas desde 2013 e vem investindo pesado em sistemas eletrônicos.

Venezuela: No final do ano passado, o governo Venezuelano decidiu tirar de circulação as notas de 100 Bolivares, a retirada destas notas correspondem a 48% do dinheiro em circulação.

India: O governo decidiu tirar de circulação as notas de 500 e 1000 Rúpias, que corresponde a 85% do dinheiro vivo em circulação. Você imagina um movimento deste em um pais com 1,2 bilhão de habitantes.

Cada pais teve ou tem o seu motivo para tomar a decisão de retirar de circulação algumas moedas, como por exemplo; tentativa de combater a corrupção, evasão de divisas, alto custo de produção e controle das moedas, facilidades para financiamento do crime organizado, tráfico, compra de armas, entre outros motivos. O principal ponto é que independentemente ao motivo adotado por cada país, de alguma forma o mercado está aberto para “novas” oportunidades em oferecer soluções bancárias e também serviços que antes eram prestados somente pelos bancos, com acesso limitado para algumas pessoas. Os próprios bancos identificaram a necessidade de se adequar a este novo mercado, oferecendo produtos com a contratação mais simplificada e em alguns casos com custos menores, podemos usar como exemplo a conta digital, mesmo com estas mudanças ainda existe uma camada da população que continua sem utilizar os serviços bancários. Para entender todas estas mudanças, basta olharmos a um passado não tão distante, onde existia uma dependência grande de agências bancarias com muitas pessoas atendendo e um batalhão de caixas, hoje em dia praticamente você gerencia os seus produtos bancários através do seu celular, Internet e aplicativos, sem saber onde fica a sua agência. Outro benefício de toda esta mudança, foi o surgimento das Fintechs (empresas que utilizam a tecnologia de forma intensiva para oferecer produtos na área de serviços financeiro de uma forma inovadora com custos menores). As Fintechs aproveitando toda esta movimentação no mercado, como por exemplo; em reduzir a circulação de moedas (espécie), desenvolveram produtos de meios de pagamentos, obviamente também são ofertados diversos outros produtos com propósitos diferentes. Com todas estas facilidades, com a criação de processos menos burocráticos e opções em meios de pagamentos, uma camada da população que não conseguia ser atendida pelos bancos passou a ter acesso a estes produtos, estou me referindo às pessoas desbancarizadas, que não possuíam conta em banco, dificultando o acesso aos produtos oferecidos pelo mercado financeiro. As empresas estão se reinventando na busca por soluções que atendam as pessoas e facilitem o seu dia a dia, fazendo com que o “dinheiro” circule de mãos em mãos sem a obrigatoriedade de passar fisicamente nas mãos de cada pessoa.

A tecnologia utilizada a serviço do mercado tem permitido a criação de diversas soluções de pagamentos que podem ser efetuados através de; cartões de crédito e débito, pulseira, aproximação do celular aos POs (máquinas onde passamos os cartões de credito), empréstimos e financiamentos e transferências de dinheiro, a ideia destas novas soluções e que cheguem a esta imensa parcela da população (desbancarizada), de forma simples, com baixo custo e, cada vez mais, através dos celulares e seus aplicativos. Estima-se que o público desbancarizados no Brasil, chegue próximo à 55 milhões de pessoas.

O comportamento das pessoas, também tem colaborado para estas mudanças. Um exemplo prático desta mudança são os jovens que na sua maioria relutam em levar dinheiro em espécie nas carteiras, a utilização do dinheiro plástico e dos outros meios de pagamentos é crescente, inclusive para pagar valores de menor monta, como um café na padaria por exemplo.

De fato está interessante acompanhar todas estas mudanças no mercado, e o principal desafio é continuar fazendo com que este mercado se inove com soluções e produtos simples e que cada vez mais inclua as pessoas desbancarizadas, oferecendo produtos com preços atrativos, e na ponta de quem oferece estes serviços com custos reduzidos. As novas tecnologias também contribuem para a criação de novos produtos, sempre focando na agilidade e praticidade e com certeza não podemos esquecer os riscos envolvidos em cada transação. Enquanto de um lado existem diversas pessoas trabalhando para criar estas soluções, na outra ponta existem pessoas procurando identificar ou criar oportunidades para fazer fraudar.